quarta-feira, 27 de maio de 2015

Romance Julho Transformador - Cap 1.



1.  Despertar

— Era para ter acordado... quantos dias já faz... estou com muito medo... — uma voz feminina
— Fique tranquila... — voz masculina.
— Como... no mesmo estado... refaça os exames... não sei o que faço... colete agora... urgência. — voz feminina.
— Não se preocupe... exames estão bons... ira acordar logo... estamos monitorando constantemente... — voz masculina.
— Irei, mas aguardo notícia... a qualquer mudança liguem, não importa à hora... — voz feminina.
— E agora... — voz feminina.
— Mais um dia...
...
Um barulho o faz desperto. Do que aparentava ser um sonho. Francisco olha para todos os lados na ânsia de reconhecer onde estava. Sente uma palpitação, nada lhe é familiar, não se lembrava da noite anterior. O esforço lhe rendera uma pequena dor de cabeça. Voltou a olhar o recinto, nada.
A claridade intensa oriunda do reflexo do sol na parede branca incomodava os olhos, a única coisa que fazia contraste com a luminosidade era um criado marrom com três gavetas no canto do quarto, e em cima dele, um simples vaso de vidro com várias flores, margaridas, rosas, copos de leite e outras flores do campo.
Sentiu uma pequena dor no antebraço direito e percebeu que algo restringia sua mobilidade. Tateando com cautela percebeu algo, parecia um curativo, no meio um objeto estranho com três bifurcações, ao fixar seus olhos, pasma! Um cateter! Um calafrio! Não se lembrava do que o levara àquela situação. Diante do medo de ter perdido algum movimento ou membro, ficou ofegante, tentou mexer primeiro os dedos das mãos, depois os dos pés, depois levemente passou a mão nas pernas nada estava quebrado ou fraturado, depois nos braços, dos males o menor ainda obedecia a seu comando, o único objeto diferente era curativo no antebraço.
Procurou, porém não havia ninguém no quarto para ajudá-lo, viu um botão na parede e a cima deste “Aperte para chamar enfermeira”, apertou, não ouviu nada, tampouco a luz acima do botão ficar vermelha. Minutos depois apertou novamente, nada aconteceu, ninguém veio em seu socorro, à única coisa que lhe restara era gritar.
 Respirou lentamente enchendo os pulmões, ao chamar saiu um grasnido sem sentido algum, fez o procedimento novamente e gritou, mas as palavras insistiam em sair baixas, quase inaudível, depois de várias tentativas saiu uma voz fraca e rouca.
— Ah... Ajuda!  — ninguém apareceu, empenhou-se mais:
— So... Socorro! Socorro! — logo uma bela mulher que aparentava trinta e poucos anos toda de branco, de cabelos pretos lisos, escorriam até a altura do pescoço, pele clara, bochechas levemente rosadas, lábios finos, olhos pretos como uma noite sem lua ou estrelas, tinha estatura mediana, antes que ela pudesse dizer algo.
— O q... O que aconteceu comigo?
— Calma! Senhor Ávila! — ele ainda afobado:
— O que, o que aconteceu comigo?
— Não se lembra? — ela colocou a mão na fronte dele, como uma mãe faz para auferir a temperatura do filho, aparentava normal, mas a experiência falou mais alta, a mesma puxou o braço esquerdo dele, já que o cateter estava no outro, e colocou um termômetro na axila.
— Um minuto senhor! — depois tirou, olhando no marcador digital estava trinta e sete e meio.
Aproximou-se um pouco mais do paciente, e com calma começou a contar:
— No dia dois de julho o senhor sofreu um infarto, uma ambulância que estava próxima ao local do ocorrido, o trouxe aqui para o hospital as pressas, devido a circunstância foi necessário fazer uma cirurgia...
— Cirur... gia!
— Isso mesmo! O quadro não era nada bom, a cirurgia demorou mais do que o previsto, desde que o senhor chegou aqui ficou em coma por nove dias.
— O que! Nó... nove dias! Como! Como assim? Nossa eu... eu estou passando mal!
Sentiu a cabeça girar, ela corre para fora do quarto, volta com uma bandeja, onde havia uma seringa contendo um liquido amarelo, ela coloca no cateter, virando a trava com a seringa despejou um liquido na circulação. Ele desmaia.
Tempo depois entra um homem na sala com um jaleco branco, e uma prancheta na mão, leva a mão no pulso do paciente para auferir os batimentos, nisso a mulher começa a falar:
— Quando ele acordou estava muito apavorado, comecei a contar o que aconteceu tentando acalmá-lo, mas se alterou, logo após sentiu tontura, e perdeu os sentidos. Apliquei medicamento para tentar deixá-lo lúcido.
— Fez mal em contar logo que acordou! Imagine você acordando em um lugar estranho, em tais circunstâncias, com uma notícia dessas. Foi um choque! Uma informação desta, de imediato é normal o desmaio.
— Errei em ter aplicado o medicamento?
— Fez bem!
— Daqui um pouco o medicamento fará efeito, e ele recuperará os sentidos.
Francisco abre um pouco os olhos e vê dois vultos brancos, pela voz percebe que era mulher que tinha visto antes, porém, não conseguia ver bem a outra pessoa, pois a visão estava turva, a pessoa tira um objeto do bolso do qual produzia uma luz, e ficou mexendo-o perto do olho de Francisco de um lado para o outro.
— Ele esta sem reflexo, só temos que esperar! Fique atenta! Qualquer coisa me chama.
— Pode deixar! A outra pessoa saiu, ela ficou mais alguns minutos com o paciente. Auferiu a temperatura novamente, como estava normal, saiu.
Horas depois acorda, apertou o botão para chamar alguém e nada, a única saída gritar:
— Enfermeira, enfermeira! — ela entra no quarto.
— Acordou! Que bom! Esta sentindo alguma coisa?
— Uma leve tontura!
— É porque ficou muito tempo desacordado! É normal sentir tontura. Vou inclinar um pouco a cama, vai ajudá-lo.
No pé da cama, ela gira uma manivela algumas vezes, fazendo a parte do tronco e cabeça se inclinarem.
— Melhorou senhor?
— Sim! — ele se ajeita na cama.
— A senhorita estava brincando! Sobre passar nove dias em coma, é inacreditável que uma simples veia entupida me causou tanto transtorno. — ela balança a cabeça em sinal negativo.
— Não mesmo! Não estou mentindo. Nem ousaria! O senhor teve sorte!
— Minha querida se tivesse sorte mesmo nem estaria aqui! Porque não teria uma imprestável veia entupida. E muito menos teria ficado nove dias em coma. Tendo sorte, estaria uma hora dessas em uma das minhas casas de praia, deitado na rede, ouvindo uma boa música e tomando uísque doze anos, repleto de belas amigas ao meu lado, e não aqui deitado nessa cama na espelunca desse hospital!
— O senhor teve sorte sim! Porque se tivessem demorado um pouco mais teria morrido! E não foi uma simples veia, foi à artéria!
— Que seja! — da de ombros. Depois fintando o vaso com flores o aponta dizendo.
— Cadê as pessoas que vieram me visitar?
— Que pessoas?
— Obvio que falo das que trouxeram as porcarias das flores?
A moça aponta para elas.
— Aquelas!
— Por acaso tem outras neste quarto, enfermeira?
Ela meio que sem jeito diz:
— Essas flores! Retiramos do quarto de um paciente que teve alta!
— Retiraram do quarto de outro paciente! Como assim? Quer dizer que nesses nove dias, ninguém veio me visitar?
— Ninguém!
— Vocês não ligaram para meus amigos e familiares? Devem estar preocupados? O que fizeram nesses noves dias...
— Ligamos para os poucos telefones que tinham em seu celular, os que tivemos êxito disseram que não o conheciam! O que achamos muito estranho!
Ele olha no crachá dela e diz:
— Querida enfermeira Luci, creio que informaram meu primeiro nome, sou conhecido pelo sobrenome.
— O senhor tem razão! Algumas pessoas são conhecidas pelo sobrenome, por isso sempre quando fazemos contatos informamos o nome completo do paciente, mesmo quando as pessoas não se recordam, falamos as características, no seu caso a maioria informou que não o conheciam. Uns que nem queriam o conhecer. A propósito um senhor ficou muito contente e pediu para ligar se caso viesse a óbito, para ele fazer uma festa, o que achamos muito estranho. — ele como uma expressão enfurecida diz:
— Afinal de contas você é paga para cuidar dos pacientes ou para ficar conversando? Vai! E trás logo meus pertences, quero sair dessa espelunca o mais rápido possível! — ela se retira.
Francisco olhava para cada detalhe do quarto, o botão de emergência que não funcionava, onde também faltava um parafuso, o piso encardido, a janela do quarto em tom cinza e com partes descascadas, o quarto parecia que havia sido pintado somente no ato da entrega da obra e nunca mais. As ferragens da cama pintada em branco, com muitos lugares encardidos, na parede em cima da porta um relógio branco velho, com algarismo romano.
— Nossa que hospital é esse? Nem para me levarem ao melhor hospital da cidade!
Um bater na porta que estava semi-aberta, antes mesmo que o paciente pudesse dar a permissão, entra um homem de cabelos curtos e pretos, magro, alto, barba cerrada, trazia consigo um estetoscópio em volta do pescoço usava jaleco e calça branca, carregava uma prancheta na mão, e uma caneta na outra. O homem já começa falando com a voz alta:
— Se tivéssemos levado para o melhor hospital dessa cidade, não estaria vivo agora senhor Francisco Ávila. Tivemos que fazer uma cirurgia às pressas para tentar salvar a sua vida, e digo-lhe mais, o senhor teve muita sorte!
— Cirurgia! Como assim?
— Acredito que o senhor deve saber o significo da palavra! Ou estou errado?
— Eu sei o significado!
— Menos mal! A cirurgia nesse caso é o procedimento adequado, porque uma das suas artérias estava bloqueada, o que ocasionou o infarto, tivemos que costurar uma Ponte de Safena!
— Ponte de Safena! — espanto.
— Isso mesmo! Para dificultar você teve uma complicação, e a operação que costuma durar em media três horas, se estendeu por cinco, a permanência na UTI que é de práxis dois dias, tivemos que aguarda cinco dias, pois você não voltava do coma, quando o quadro ficou estável o trouxemos para este quarto onde permaneceu desacordado por mais quatro dias.
Francisco abre a camisa, vê que o cabelo do peito estava raspado, e havia marcas de pontos no rumo do coração, ele olha espantado para o medico, que conclui:
— Fizemos um ótimo trabalho! A propósito não faça com que me arrependa de ter salvado sua vida, nossos funcionários são tão importantes quantos nossos pacientes. Antes que esqueça não maltrate mais a enfermeira, o senhor terá alta somente quando eu tiver certeza que esta bem, e seja amigável nessa sua estadia! — o homem se vira e sai do quarto. Francisco resmungou baixo evitando que alguém ouvisse.
— Que prepotência! Esse aspirante a medico terá o que merece quando eu sair daqui, não conseguira permissão nem para atender índios na Amazônia.

Minutos depois levantou totalmente a camisa e levemente passou o dedo em cima da cicatriz ficou olhando-a, tentando absorver todas as informações, o cérebro calculava o tempo da cirurgia, cinco horas composta de seus trezentos minutos, o tempo na UTI, o quanto ficará no quarto desacordado, pior em coma, lembrou-se do passado, o péssimo hábito alimentar, varias noite em claro, coisas que poderia evitar.
Passando um tempo a mulher retorna para colocar o soro e ele diz:
— Enfermeira poderia por gentileza trazer os meus pertences? Preciso utilizar um urgente. Por favor, Luci! — ela foi áspera ao responder:
— Somente com autorização!
— A senhorita poderia verificar com ele? Por favor?
— Ele já foi embora, o turno acabou! Amanhã pergunto! — fala baixo:
— Que merda de hospital é esse?
— Desculpa! Não entendi? Poderia repetir?
— Qual o nome do hospital?
— Vitor Sá! O senhor falou algo mais?
— Não! Somente perguntei isso!

...

Horas depois decidiu tomar banho. O piso branco do banheiro estava em muitos lugares encardidos, trincado, mas não tinha escolha ou era aquilo ou nada, seu corpo clamava por um banho, mesmo nessas condições. Ao entrar utilizou apenas o sabonete, depois ao olhar para a toalha encardida, cogitou se seria viável se enxugar nela ou não, relutou, mas concluiu que não tinha opção, e o fez, escolhendo o lado que parecia mais limpo, olhou para o espelho descascado que ficava em cima do lavatório, penteou os cabelos com a mão e voltou para a cama.
Por volta das dezenove horas Luci entrou com a refeição, e saiu, voltando uma hora depois para retirar.
O tempo não passava então decidiu dormir.
No outro dia acordou bem cedo, graças à claridade do sol que logo de manhã invadia o quarto, ultrapassando a fina cortina que ficava na frente da janela, torceu para que tudo não tivesse passado de um pesadelo, mas sem sucesso aquela era a triste realidade.
As horas demoravam a passar o quarto não possuía televisor para entreter e amenizar a espera, a janela dava para o outro prédio do hospital, o único som que quebrava o silêncio, era o barulho dos carros, o tique taque daquele antigo relógio branco, e alguns barulhos oriundos do próprio hospital.
Logo de manhã, entra no quarto o mesmo homem que tinha vindo no dia anterior, estava com o estetoscópio pendurado no pescoço, mas dessa vez sem prancheta e diz:
— Hoje à tarde irei verificar a possibilidade de lhe dar alta!
— Posso pegar os meus pertences?
— Espere mais essas horas! Depois você terá acesso aos seus pertences!
— Mas o que poderia atrapalhar em minha recuperação, usá-los?
— O senhor tem um corte no meio do peito que ainda não cicatrizou, poderia pegar uma bactéria hospitalar, ou qualquer simples bactéria dos seus pertences poderia agravar e muito sua recuperação. E até levá-lo a morte!
O Francisco meneia a cabeça e sinal de concordância.
— Então até à tarde!
— Até!
— Doutor é normal sentir dor de cabeça? — estava com a mão na maçaneta, se vira para o paciente, dizendo:
— Não pela operação! E sim porque você ficou muito tempo desacordado, mas fique tranquilo, daqui alguns dias não sentira mais dor de cabeça.
— Obrigado! — ele meneia a cabeça e sai.
O tempo parecia ser uma eternidade naquele quarto o levando a falar sozinho:
— Tenho certeza que se trouxessem um paciente terminal para este quarto, ele pediria pra trocar! Porque neste o sofrimento demoraria a eternidade!
E como cada minuto demorava pra passar, quem diria horas, algumas vezes se levantava ia à janela, andava de um lado para o outro, mexia na cama inclinando ou abaixando, deitava cochilava, sentava ficava olhando para a porta esperando a entrada de alguém, talvez uma visita ou mesmo um funcionário.
Depois de algumas horas.
— Você tem alguma reclamação? Esta sentindo fraqueza, ou tontura?
— Não! Estou me sentindo bem!
— Então irei te dar alta! Mas fique sabendo que não poderá fazer esforços! A propósito durante dois ou três dias terá dificuldade de lembrar algumas coisas. Mude seus hábitos alimentares, é a única forma de você ter uma vida saudável, e conseguir chegar à velhice, do contrario, até breve. — percebe o tom ameaçador olha no crachá dele lendo M. S. Carvalho.
— Obrigado doutor Carvalho!
— Terá que seguir este tratamento... — ele destaca uma folha do receituário e estende para Francisco, e conclui: — por uma semana e em caso de extrema urgência ligue diretamente no meu celular, anota o numero do celular na folha.
— Seguirei suas recomendações! Espero não precisar ligar, e que nunca mais o veja. Quer dizer, pelo menos não nessas condições!
— Concordo plenamente!  — se despedem com um aperto de mão.
Francisco olhando a receita que o doutor tinha lhe prescrito não viu nenhum tipo de remédio anotado, somente alguns alimentos que deveria evitar, e outros que não poderia faltar em sua dieta. Antes doutor sair indagou:
— Doutor mais aqui não tem nenhum tipo de remédio prescrito! — para, e se vira respondendo.
— Como você ficou muito tempo internado o tratamento foi feito aqui mesmo, por isso não falta muitos dias para terminar o tratamento não vejo a necessidade de comprar remédios, te darei dois frasco um para a dor de cabeça, que você só vai tomar quando sentir, e o outro para o coração terá que tomar toda noite antes de dormir por sete dias.
— A propósito! Terei que voltar para fazer algum procedimento com os pontos.
— Não os pontos foram internos seu corpo os absorverá.
— Ficará cicatriz no lugar da operação?
— Sim! Será um pequeno suvenir deste episodio fatídico de sua vida, e que lhe sirva de lição, sobre as consequências da má alimentação, mas será pequeno fiz um bom trabalho. Sou bom no que faço!
— Assim espero doutor Carvalho. — sorriem.
Minutos depois Luci entra trazendo os pertences que ele tanto desejava, ao vê-la abre um sorriso no rosto, mas não pela presença dela, sim pelo que trazia nos braços, ela coloca em cima da cama.
— Pode se trocar no banheiro, se precisar de ajuda me chame.
— Obrigado! Se precisar chamo.
Colocou a camisa social devagar tomando cuidado com a cicatriz da operação, coloca o terno preto com risca de giz, a gravata azul anil, guarda o celular no bolso arruma o fone de ouvido na orelha, sai do banheiro Luci estava em pé ao lado da cama, ele senta na cama pega a pasta, coloca o código no segredo que ficava na lateral da pasta, abre e começa a folhear papel por papel verificando se não faltava nada.
Retira o celular do bolso e liga, e depois o guarda novamente falando pelo fone.
— Poderia vir me buscar aqui no hospital Vitor de Sá.
— Que horas?
— Agora mesmo! Favor ligar quando estiver aqui na porta!
— Pode deixar!
— Combinado!
Ele desliga e diz:
— Tomara que ninguém me veja nessas condições, pareço um derrotado! — volta para a cama fecha a pasta e aperta o botão para chamar a enfermeira, e novamente nada de barulho e nem da luz acender.
— Não acredito que a campainha não funciona! Enfermeira! Enfermeira! — um bater na porta.
— Pode entrar! — era Luci com uma cadeira de rodas. Em cima da cadeira uma sacola.
— Por que da cadeira de rodas?
— Normas do hospital!
— E a sacola?
— São os dois frascos de remédios que o doutor lhe receitou, o frasco com oito comprimidos é para tomar toda noite pouco antes de dormir, o que tem mais comprimido é para tomar se sentir dor de cabeça.
— Tudo bem!
— Quem vira buscá-lo?
— Já liguei para um taxi, que logo chegará aqui! — ela faz uma cara de espanto, visto que como obrigação sempre os familiares buscavam os pacientes, percebendo a situação tenta contornar.
— É que meus amigos, e familiares são muito ocupados! Vou passar uma água no cabelo. — volta ao pequeno banheiro do quarto passa água, e penteia-o com os dedos. Ao voltar Luci estava com a mão do lado da campainha do quarto.
— Esta com defeito! Pede para a manutenção arrumar.
— Pedirei! — ouve-se o barulho do celular tocar, ele aperta o botão e atende pelo fone.
— Ta bem! Estou saindo!
— Já chegou! — pegou a pasta na cama, se senta na cadeira de rodas, coloca a sacola de remédios em cima da pasta, olha bem para o quarto, nisso ela o leva para a porta.
— Nunca me esquecerei desses dias... — olhando para o numero do quarto. — e nem do quarto cento oitenta e sete.
Saindo do hospital, no corredor as enfermeiras ficavam olhando pra ele, com expressão fechada, e conversavam baixo apontando pra ele. Francisco se vira para Luci e diz:
— Nesse hospital ninguém trabalha, só ficam pelos corredores conversando! — ela fecha a cara e nem responde nada.
Na recepção o carro estava esperando, um carro novo impecável, mesmo sendo um taxi não tinha nenhuma faixa, ou placa que o denunciasse, saiu um chofer bem trajado, que abriu a porta de trás.
— Obrigado enfermeira. — agradeceu sem nem olhar para ela.
— Disponha!
Francisco se levantou da cadeira de rodas e entrou no carro, a enfermeira retornou para dentro do hospital, chofer assumiu o volante perguntando:
— Para onde senhor?
— Para o edifício San Martin! James!
— Quer escolher o caminho? Ou prefere o mais curto?
— O mais curto! Quero chegar o mais rápido possível!
— Pode deixar!
O chofer foi o mais rápido possível, sempre na velocidade máxima permitida, e chegou à porta do edifício em treze minutos.
O edifício San Martin é o mais luxuoso da cidade, localizado no melhor bairro, na entrada do edifício replicas de estatuas e monumentos famosos, e uma formosa cachoeira artificial ao lado do edifício. Tinha apenas dois apartamentos por andar, num total de trinta andares e um na cobertura, onde morava.
— Senhor Francisco Ávila chegamos! Providenciei uma cadeira de rodas que esta no bagageiro, deseja que eu a pegue?
— Não será necessário! Estou bem!
O chofer sai do carro, e abre a porta para ele. E carrega os pertence dele o acompanhando até o elevador, passam pelos porteiros sem cumprimentá-los.
— Obrigado até aqui está ótimo! — Francisco pega a pasta e a sacola. O chofer se retira.
Francisco entra no elevador e aperta o botão da cobertura, o elevador sobe rápido e o pequeno barulho emitido nem atrapalhava a musica ambiente.
Saiu do elevador, no hall de entrada que dava para o apartamento, duas pilhas de jornais, balança a cabeça, entra sem nem pegar os jornais, reparou se o apartamento estava limpo, conforme o havia deixado, a cozinha estava devidamente organizada sem talheres ou lousas sujas, levou a mão direita à cabeça:
— Dez dias! Dez longos dias, quantas mudanças devem ter ocorrido no mundo!
Deixou a pasta em cima da mesa do escritório, voltou à cozinha deixando a sacola com os medicamentos em cima da mesa, pegou um copo de água, sentou a mesa da sala de jantar e ficou admirando a bela vista do apartamento, através do vidro que era quase a totalidade da parede, a única coisa que atrapalhava a visão era uma coluna no meio da parede dando sustentação para o teto, e por este vidro dava-se para ver quase toda cidade, ficou ali bebendo e pensando. Foi para o quarto na suíte entrou na banheira, pegou um controle e apertando-o, desceu uma tela e apareceu a imagem de um canal de notícias. E voltou a pensar alto.
— Dez dias! Podem ter acontecido muitas coisas nesses dez dias! — depois de meia hora saiu apertou o botão do controle a tela subiu, no quarto ligou o televisor em um canal de notícia, ofuscou a imagem deixando somente o som e deitou na cama.
— Tenho que descansar um pouco depois me atualizo! — dormiu.




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